domingo, 5 de dezembro de 2010

GIL VICENTE ME CONFESSOU: ELES ESTÃO MORTOS.

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Meu carinho à John

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PODE DEITAR NESTE TAPETE VOADOR
E FINGIR QUE ÉS APENAS SONHADOR
DAQUELES QUE NÃO VÊ A VIDA PASSAR
E QUE SE DEIXA APENAS VIAJAR
E QUAL SERÁ O MOTIVO DO MEU SER ?
A IMPORTÂNCIA DE EU ESTAR AQUI ?
TUDO QUE QUERO SEMPRE SER
É O RESULTADO DE PENSAR EXISTIR ?

SOU NINGUÉM MAIS QUE LENNON
NINGUÉM MAIS QUE EU MESMO
UM CERTO SINE QUA NON
UM SER HUMANO AO EXTREMO

TRISTONHO, CHEIO DO INCERTO
MAS, QUERO MUITO, É CERTO
SER FELIZ O MÁXIMO QUE POSSO
NÃO ME AFUNDAR NUM POÇO

ENXERGAR UMA VIDA FELIZ
SONHADA COMO EU QUIS
QUE ME CHAMEM DE ELIS
E QUE ESTEJA SEMPRE POR UM TRIZ

SEM MEIAS VERDADES, SEM UM MEIO
QUE SEJAMOS POR INTEIRO
EU SOU, EU CREIO
UM SER SIMPLESMENTE VERDADEIRO...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma fotografia aérea

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clique aqui e ouça a narração do poema na voz de Ferreira Gullar em WindowsMedia


Ferreira Gullar

terça-feira, 30 de novembro de 2010

QUERO SER FERREIRA GULLAR

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E O QUE SERÁ DE MIM NO FUTURO ?
TEREI OU NÃO UM PORTO SEGURO ?
SEREI A CANTORA DAS NOITES PERDIDAS ?
OU PASSAREI A VIDA A CURAR FERIDAS ?

ÁRVORE CERTAMENTE NÃO PLANTAREI
REBENTO, TALVEZ, NÃO EMBALAREI
MAS, QUERO ENTRE AS MÃOS TATEAR
PALAVRAS COMO A PROSEAR

ALGUMAS SIMPLESMENTE COPIADAS
DE GRANDES POETISAS AMADAS
PELOS LEITORES MAIS DISTINTOS
SINCERAMENTE, AGORA NÃO MINTO

QUERO QUALQUER DESTINO
UM DESEJO SEM MUITO TINO
DEPOIS DE CONHECER DALTON
EMBRIAGADA DE SALTON

A ÚNICA CERTEZA QUE TENHO
EM MEU TÃO NATO CENHO
É NÃO QUERER SER O TAL
VAMPIRO DE CURITIBA NATAL

QUERO SIM, TER COMO FIM
ÚNICO LIVRO ESCRITO POR MIM
PORÉM, SE PRECISO PRA TER SUCESSO
SER UM EXCENTRICO, PEÇO

NÃO ME ENTREVISTEM, PORQUE
NA VERDADE SE ALGUEM TENHO QUE
SER, QUE EU SEJA UM POBRE ZÉ RIBAMAR
QUE, PRA MIM, SERIA MUITO SER GULLAR.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

De mim para o poeta Júlio Zefa Amaral morto

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Declaracoração

Você já me disse que o céu não existe
Aí eu fiquei muito preocupada com seu itinerário.
Fiquei apavorada, na verdade, porque
também não existe o contrário.
E não adianta dar uma de Orpheu.
Chorei e ouví você dizer "Canta pra não chorar".
Num devaneio; como numa quimera
(quisera eu ser a sua, quem me dera!),
Lágrimas se cristalizaram numa
fada tupiniquim
Que me disse assim:
- Me conte o que passou que um
desejo realizado lhe dou.
- Meu amor viajou, quero pra ele
um destino. Nada de Paraíso,
um lugar onde ouro não irá
encontrar, e, sim, um pé de guaraná
e um violino pra tocar. Deixe as virgens
de lado, porque amor eu quero lhe dar.
E, por favor, breve me leve pra lá e que
eu possa com minha alma, meu corpo carregar
para a ele entregar.
Tá tudo acertado, desejo realizado.
O cheiro do guaraná dá pra sentir,
e posso ouvir sua poesia e música daqui.
Mas, falta algo!
Já que as almas são incomunicáveis,
falta meu corpo se entendendo com o seu
corpo.
Mas, eu tô viajando logo.
Não sei se chego em maio ou em junho
Mas, chego, Júlio.

(em homenagem a Júlio Zefa Amaral que, como verdadeiro poeta, morreu de amor)

De Ferreira Gullar para o poeta Oswald de Andrade morto

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Oswald Morto

Enterraram ontem em São Paulo
um anjo antropófago
de asas de folha de bananeira
(mais um nome que se mistura à nossa vegetação tropical)
As escolas e as usinas paulistas
não se detiveram
para olhar o corpo do poeta que anunciara a civilização do ócio
Quanto mais pressa mais vagar

O lenço em que pela última vez
assoou o nariz
era uma bandeira nacional

NOTA:
Fez sol o dia inteiro em Ipanema
Oswald de Andrade ajudou o crepúsculo
hoje domingo 24 de outubro de 1954

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Solitude

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Já na desistência de esfregar
As costas não alcançadas
Num movimento brusco mudo o olhar
De foco e reparo as paredes molhadas

Pela janela invade o som das brincadeiras
Das crianças que vem da rua
Alegres canções que não me remetem à nada
Não me levam a lugar algum e não me dizem
Coisa alguma
Então, permaneço fria, crua

Revolvo às amigas paredes que abrigam
O vazio da casa
E percebo que há mais solidão ali
Dentro, além daquela que me arrasa

Escalando com esforço o azulejo
Escorregadio
Um inseto parece também sentir frio

Tem as patas brancas, de um
Branco quase transparente
Parecem frouxas, bambas
Como as minhas tem estado ultimamente

E se o poeta diz que a aranha
Vive do que tece, vivo por um triz
Sempre prostrada, vivo de prece

Depressa aquele ser tão pequenino
Me faz acreditar em destino
Seria destino eu me sentir felizarda
Com o que ele me barganha ?
Me sentir plena e satisfeita em
Companhia de uma aranha ?

Havia formosura no encontro
Eu acompanhava seu trajeto
Como um dedicado arquiteto
Estuda minuciosamente seu projeto

Sob minha vigília quase alcançava sua meta
Eu apertando os olhos, vi algo em sua reta
Seria uma presa ? Não! Se movia
Era uma outra aranha suspensa de forma tesa
Se aproximaram e pareciam conversar
Para minha surpresa

A outra era maior que a minha
E parecia que lhe esperava
Eu, sem mais delongas
Saí do banho que me enrugava

Em meu quarto, ninguém à minha espera
Aberta estava a janela
E pude ver astro que a noite trouxera

Piscando me disse tal brilhante estrela:
- Segue, toma tua engenhosa teia
Mesmo sozinha deves tecê-la

domingo, 21 de novembro de 2010

Sandrine Estrade Boulet

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É o nome de uma artista francesa, e por felicidade nossa, uma artista contemporânea.
Sandrine fotografa e faz intervenções digitais artísticas nas fotos.
O resultado é maravilhoso.
Eu fico feliz e entusiasmada com as obras de mulheres artistas.
É uma das maneiras mais eficazes de manifesto.
E precisamos que sempre nós mulheres estejamos juntas em manifesto.
A manifestação de Sandrine é leve, criativa e linda.
Eu que gosto muito de títulos de obras de arte, amei também os nomes de suas criações.
As que estão neste post chamam-se Coup de Vent ( Golpe de Vento) e Lunette man ( Homem Luneta), mas tem muito mais aí no link que segue:



US$ 722,5 mil

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Foi o preço pago em Nova Yorque por Machina de Beatriz Milhazes, nesta semana.
A artista brasileira, uma das minhas preferidas, é a mais bem paga e o melhor de tudo é que pôde colher os frutos ainda em vida. O que não aconteceu com minha amada Tarsila.
Mas, temos que comemorar que nossa arte seja tão valorizada. Porque ela é realmente e incrivelmente bela.

                                         Machina (1993-94)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ama Dor

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Não quero mais te encontrar
Luzindo como estrela pela noite
Pra sentir o peso do sol na aurora

Não quero mais te ver cantar
As canções que o amor trouxe
Deixaram os versos doídos de agora

Não quero mais falar-te
Sobre o corpo torturado pela paixão
Marcas profundas da pequena hora

Não quero mais você
Migalhas distraídas pelo chão
Não alimentam meu coração que chora

sábado, 13 de novembro de 2010

O CARINHO QUE MAMÃE ME FEZ

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SOU UM SER TOTALMENTE REPREENSÍVEL
DEPOIS DE TRINTA ANOS CONTINUO IGUAL
TESTOSTERONA PRA MIM É DESPREZÍVEL
HÁ TANTO DELA EM MIM QUE NÃO É NORMAL

PORVENTURA NASCI DE FAMÍLIA INIGUALÁVEL
TÃO AMOROSOS QUE ME DEIXAM NESTE ASTRAL
MEUS PAIS ME AMARAM DE MANEIRA INCONTROLÁVEL
E SÓ POR ISSO SOU UM SER HUMANO ESPECIAL

PORÉM, CONTUDO , TODAVIA, CONHEÇO
AS MÃOS, E CADA CARINHO QUE ME AFAGA
E SEI QUE SOU UM SER ESTRANHO QUE PAREÇO
ALGUÉM ARMADO SEMPRE COM UMA ADAGA.

MAS, NADA ME ENGANARÁ NESTA VIDA
QUE O QUE VEJO REALMENTE NÃO EXISTE
AS LINHAS EM SUA MÃO TÃO BEM-VINDA
ME FIZERAM TAL PRESENTE EM RISTE

MAMÃE, MINHA VIDA SEM TI É TRISTE
E NUNCA DEIXÁRÁ DE SER MINHA AMADA
MINHA ATUAL ALEGRIA CONSISTE
EM DEITAR NESTA COLORIDA ALMOFADA

Susurro

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Solo quiero que me quieras
Suya seré sin miedo
Viviendo entre sofocantes miradas
Y sabrosos besos
Sin súplicas o suplicios
Sin soledad
Sin sufrimiento
Conociendo la deliciosa sinceridad
Siendo siempre nosotros mismos

Sembrando y cediendo
Sublimes sentimientos
Sueño contigo en mi vida
Y sé que cien sonetos
Serían pocos
Entonces serenamente espero
Siendo así, tendré el cielo al oír
Soy suyo

(para Otávio Ripas)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Anywhere is my land

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Muito propício foi assistir a exposição de Antônio Dias na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Pela beleza de suas obras, engajamento e vanguarda.
Mas, principalmente pelo pensar fortuito que a arte nos traz.
De tudo, o que mais me chamou atenção e me fez refletir foi o título de uma das obras, que deu nome à exposição : Anywhere is my land.
Profundo. As fronteiras, as segregações foram criadas por nós humanos. Não existe minha terra e sim a terra onde eu nasci.
Somos todos de nenhum lugar e de todos eles.
Saí da Pinacoteca encantada junto com outros tantos paulistanos alguns moderninhos,outros intelectuais, e um bocado de descolados, reverenciando o importante paraibano Antônio Dias.
E o que importa em Antônio Dias não é onde ele nasceu, mas o que nasceu dele.

Batalha, 1962

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A estúpida Mayara Petruso

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É um absurdo extremo, em pleno século XXI, alguém acreditar que é superior a outrem.
É uma estupidez sem tamanho. 
O mais triste é que não é privilégio de poucos. Eu me pego várias vezes tendo que discursar contra o preconceito.
Mas, o que dói é este tipo de crime que não tem nome. Essa garota estuda Direito; o que não nos diz nada, já que nos dias de hoje, estar em uma Faculdade não significa coisa alguma. Provavelmente é mais uma analfabeta acadêmica, cometendo racismo.
Mayara não cometeu racismo em seu microblog, o que declarou não tem nome.
Conhecemos a inaceitável xenofobia, a homofobia, o preconceito contra outra raça.
Até existe um estudo recente que explica porque não percebemos as diferenças entre um e outro cidadão japonês, os japoneses também não discernem o quão diferente é um europeu de outro europeu.
Explicado biológicamente, aceitável, mas como podemos aceitar o preconceito ? E além do mais, como podemos aceitar o preconceito de um povo contra si próprio?
É inominável, e tem que acabar.
A minha luta feminina é,também, nordestina.
Precisamos corrigir essa falha, essa corrupção dentro da nossa nação, já que não podemos mudar a luta entre os Hutus e os Tutsis(guerra absurda entre um mesmo povo, na nossa mãe África).
A minha indignação contra a brasileira Mayara, é completamente racional, e não simplesmete porque minha bisavó é Pernambucana, e uma de minhas avós Paraibana, a outra Alagoana, minha mãe Sergipana e meu pai Potiguar.
A minha indignação existe e só.
Quem dera meu desprendimento chegasse a tal ponto em que eu realmente curasse essa garota e a convencesse do quão maravilhoso o povo nordestino é, se eu cedesse, por uma noite, a ela o Baiano que me acompanha por todas as noites.
A partir daí,certamente, ela seria uma brasileira consciente, amorosa e feliz.

RICO APRENDEU A FALAR ...

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Machado Assim...

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Nascido filho de mulato carioca
Que ganhava a vida pintando parede
Machado casou-se com portuguesa senhora
E grande inspiração com Carolina obteve

Seguindo os passos de seu pai
Exímio pintor ele se tornou
E de maneira minuciosa
Seu país retratou

Frequentou,trabalhando toda a infância,
Apenas a escola primária
Foi nomeado presidente da Academia
Pois não levava uma vida secundária

Foi Machado, crítico literário,
Crítico teatral e jornalista
Foi também teatrólogo, poeta
Romancista e contista

Foi Machado "Ressureição", "Helena"
"Iaiá Garcia" e "A mão e a Luva"
Foit também "Memórias Póstumas
De Brás Cubas"

Foi "Quincas Borba", "Dom Casmurro"
"Esaú e Jacó" e "Memorial de Aires"
Foi "Contos Fluminenses" e "Papéis Avulsos"
Todos eles pairando pelos ares

Foi "O alienista" a assistir a "Missa do Galo"
Mesmo assim não deixou de visitar "A cartomante"
Para saber "A teoria do Medalhão"
Passaria até uma "Noite de Almirante"

Foi também consultar "O Espelho"
Antes de fazer "Cantigas de Esponsais"
Viu a "Sereníssima República
E deixou a "Verba Testamentária"

Agradeçam por dividir com Machado
A mesma terra e o mesmo chão
E lamentem por lerem esta história
Pela minha e não pela sua mão

(Publicado há muitos anos atrás no "Pobre")

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Santa Cruz de Minas

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Ela o achava pouco para si.
Principalmente, por ser tão cobiçada, desde muito nova e além do mais ter ganhado o Concurso da Garota Santa Cruz de Minas, em primeiro lugar.
Acontece que isso já fazia tempo, e ela cansou de esperar. Deixou de acreditar em contos de fada e de assistir novelas da Globo.
Sabia que o empresário rico carioca não viria mais, e ela continuaria em Minas Gerais, sem nunca ter pisado em Copacabana.
Por isso, aceitou o pedido de casamento. Por pura conveniência, já que ela pagava R$200,00 de aluguel e indo viver com ele não pagaria nada.
Levou junto consigo, seus poucos pertences e um cadinho de estupidez, como se dizia em sua cidade.
Em contrapartida, seu companheiro era generoso, sensível e trabalhador.
Trabalhava na peixaria de  um supermercado considerado grande, se tratando do menor município do país. E toda vez que voltava do trabalho, lhe trazia chocolates em promoção, ou flores barateadas por estarem prestes a murchar.
Mas nunca aparecia de mãos vazias.
Pra ela, nada era agradável, nem a geléia de morango, sua preferida, porque o frasco cheirava a peixe, os chocolates,e as flores também.
Sentia o cheiro à distãncia, e sabia sempre quando ele voltava do trabalho, com 5 minutos de antecedência. Ia dormir cedo, sempre, e antes dele para não se sentir dormindo com um Atum gigante.
Tinha vergonha, quando ia ao mercado  e o via entre sangue e escamas.
Ela sentia falta de sua irmã, que fora morar no Rio de Janeiro e pediu a ele um celular de presente.
Ele sabia que demoraria um ano juntando dinheiro para tal mimo, mas tudo valia a pena por ela. 
Tentado pela vontade de satisfazê-la, foi à Casas Bahia e comprou o telefone.
Só não entendeu por que pagaria, não em um, mas em dois anos.
Entregue o presente, nada de euforia, de recompensadores beijos,apenas um insosso: obrigada!
Não faria festa por um celular que cheirava a Taínha.
Passou a falar sempre com sua irmã. Sobre o desejo de conhecer o Cristo Redentor, sentir a brisa do litoral em seu rosto, pisar em areia branquinha, coisa que nunca havia feito em sua vida. E também, em seu desprazer por estar casada com o homem que não era o dos seus sonhos.
E que cheirava a peixe.
Ele continuava a trabalhar muito e certo dia foi chamado na sala da gerência e promovido a encarregado da Padaria do mercado. Tomou banho no trabalho mesmo, se perfumou, chegou mais cedo em casa.
Dessa vez, sem o costumeiro aroma que alarmava a esposa há cinco minutos de distância. E ele a ouviu ao telefone com a irmã:
- Eu não o suporto! Ele fede a peixe.
Doeu feito punhalada no peito. Ele não pôs os pés em casa neste dia. Nem em nenhum outro.
Passados os dias ela chorou e sofreu.Passados os meses também.
Durante muitos anos sentiu saudades e cheiro de mar.  

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais uma inspirada obra ,que inspirou outra obra que me deixa inspirada

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Lindonéia


 

Na frente do espelho
Sem que ninguém a visse
Miss
Linda, feia
Lindonéia desaparecida
Despedaçados
Atropelados
Cachorros mortos nas ruas
Policiais vigiando
O sol batendo nas frutas
Sangrando
Oh, meu amor
A solidão vai me matar de dor
Lindonéia, cor parda
Fruta na feira
Lindonéia solteira
Lindonéia, domingo
Segunda-feira
Lindonéia desaparecida
Na igreja, no andor
Lindonéia desaparecida
Na preguiça, no progresso
Lindonéia desaparecida
Nas paradas de sucesso
Ah, meu amor
A solidão vai me matar de dor
No avesso do espelho
Mas desaparecida
Ela aparece na fotografia
Do outro lado da vida
Despedaçados, atropelados
Cachorros mortos nas ruas
Policiais vigiando
O sol batendo nas frutas
Sangrando
Oh, meu amor
A solidão vai me matar de dor
Vai me matar
Vai me matar de dor

Canção de Caetano e Gil inspirada pela obra de Rubens Gerchman

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Será arte ?

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Provavelmente, depois de viver muito, estudar e escrever bastante eu me debruce sobre meu próprio livro.
É apenas uma idéia longinqua.
O que me fascina e me move, neste mundo, é a beleza da arte. E me pergunto, quem começou tudo isso ???
O primeiro, o cara, que decidiu fazer uma musiquinha aqui, uma esculturazinha ali.
A beleza do desenrolar de novas idéias a partir de uma criação.
Ou, até mesmo, as várias interpretações e possibilidades de uma única obra.
Carlos Drummond de Andrade dizia que havia questão no Vestibular da USP sobre sua obra, que nem ele mesmo saberia responder. Genial!
O post aí debaixo , por exemplo, poesia de Ferreira Gullar com ilustração do Vik Muniz.
Que sensibilidade há em um homem, que no conforto do seu dia-a-dia, desfrutando dos prazeres da vida, consegue lembrar-se da amarga e dura vida daqueles que não tem nenhum desfrute, e que através de sua dor, trouxeram um momento saboroso para o outro?
Essa poesia, tão magnifíca, por sua força e gradiosidade ideológica, tocaria outro grande e sensível artista.
Vik conheceu, quando estava de férias na ilha de St. Kitts, no Caribe, sete crianças de comportamento doce, filhas de pais amargurados que trabalhavam na colheita de cana-de-açúcar. Surgia, assim, “Crianças de Açúcar", e o artista utilizou apenas papel e açucar para obra tão divina.
A arte imita a vida , a vida imita a arte.
A idéia de meu primeiro livro é a idéia surgida de um de meus deleites trazidos da literaura para minha vida.
Será quase uma imitação.
E imitando, mais uma vez, e dessa vez, Geraldo  Azevedo : que afirmou em poesia:
"Quem  inventou o amor teve, certamente, inclinações musicais."
Num repente, amador, digo eu :
Quem a arte inventou, teve inclinações do amor.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O açucar (Ferreira Gullar)

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O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

POR QUE ATÉ OS GÊNIOS PODEM SER CANALHAS ??

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EU CARREGO COMIGO A IMPRESSÃO DE QUE ATÉ MESMO ALGUNS DOS GRANDES GÊNIOS, FILÓSOFOS, POETAS, PINTORES CONSEGUEM SER CANALHAS EM RELAÇÃO A NÓS MULHERES.
POR EXEMPLO, PICASSO : FAZIA LINDOS QUADROS RETRATANDO SUAS MULHERES NO COMEÇO DE CADA RELAÇÃO. E COM O PASSAR DOS ANOS AS DESENHAVA COMO MONSTROS.
ENTÃO, ME PERGUNTO, SERÁ QUE NÃO ERA MESMO PABLO PICASSO QUE AS TRANSFORMAVA EM FORMA TÃO HORROROSA ?
NÃO SÓ COMO PERSONAGENS, MAS COMO PESSOAS. QUANDO ERAM SUBMETIDAS A TODAS AS SUAS TRANGRESSÕES E TRAIÇÕES ?
OUTRO É SCHOPPENHAUER QUE EM “A ARTE DE AMAR” DIZ QUE SOMOS SERES INFERIORES,  BAIXINHAS DE ANCAS LARGAS E FEIAS.
MARIO LAGO, POR EXEMPLO, ESCREVEU QUE AMÉLIA NÃO TINHA A MENOR VAIDADE, AMELIA É QUE ERA MULHER DE VERDADE.
E UMA DAS CANÇÕES MAIS LINDAS DO REPERTÓRIO DE MÚSICA BRASILEIRA, QUE SE CHAMA” NÚMERO UM”,TAMBÉM DE MÁRIO LAGO,  TEM UM VERSO QUE DIZ: SATISFAZ TUA VAIDADE, MUDA DE DONO A VONTADE , ISSO EM MULHER É COMUM.”
UM ABSURDO EM CADA PALAVRA. QUEM SERIA NOSSO DONO ?
REALMENTE UMA LINDA CANÇÃO, QUE SÓ ME PERMITO CANTAR  NO BANHEIRO DA MINHA CASA, E QUE, COMO CANTORA,  NUNCA LEVAREI AO PALCO.
O GRANDE NELSON RODRIGUES, DIZIA :
TODAS AS MULHERES GOSTAM  DE APANHAR. SÓ AS NORMAIS. AS NEURÓTICAS REAGEM.
EU DUVIDO QUE NELSON  REALMENTE ACREDITAVA NISSO, E SE ACREDITAVA EU DEFINITIVAMENTE NÃO CONCORDO COM ELE.
ELE DISSE TAMBÉM QUE : “ A MULHER SÓ SE SALVA SE FOR PRO TANQUE. É O TANQUE A SALVAÇÃO DA MULHER”. E NISSO, MESMO EU NÃO SENDO GÊNIA (QUE NÃO HÁ NO DICIONÁRIO), CONCORDO COM ELE.
PORQUE, AFINAL, É LÁ O NOSSO LUGAR.
E A LUTA CONTINUA.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

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EU SEI QUE TÁ MAIS PRA NOTADEFALECIMENTO.BLOGSPOT.COM, MAS É QUE VOU SENTIR SAUDADES . MUITA.E QUERIA O WESLEY NA MINHA SALA.


(Birgitta pensando - Wesley Duke Lee -1966)

domingo, 26 de setembro de 2010

A ARTISTA DE XANGAI

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EU ACREDITO QUE NESTA VIDA NADA É POR ACASO.
E CONSTATO ISTO NAS ESCOLHAS QUE FAÇO.
A CADA FILME QUE DECIDÍ ASSISTIR, A CADA PESSOA COM QUEM ME RELACIONEI , A CADA LIVRO QUE ESCOLHÍ LER.
A ARTISTA DE XANGAI É UMA DESSAS CONSTATAÇÕES.
ME INTERESSO POR BIOGRAFIAS, GOSTO DE HISTÓRIAS DE GRANDES MULHERES, E POR ISSO RESOLVÍ COMPRAR ESTE LIVRO.
QUASE 500 PÁGINAS DE LEITURA SEM GRANDE CONTEÚDO E BEMMMMMM COMERCIAL.
HISTÓRIA INTERESSANTE E SOFRIDA DE PAN YULIANG. SOFRIDA COMO A VIDA DE GRANDE PARTE DAS MULHERES.
NÃO À TOA CONHECÍ A HISTÓRIA DE YULIANG.
DESCOBRÍ MAIS UMA GRANDE ARTISTA, COMO TARSILA E FRIDA.
JOÃO GUIMARÃES ROSA DIZIA QUE MAIS IMPORTANTE QUE A VIDA DE UM ARTISTA É A SUA OBRA.
E LENDO A VIDA DE YULIANG ME APAIXONEI, QUASE SEM QUERER, POR SUA OBRA.
E POR FALAR EM DESTINO E SOFRIMENTO, QUANDO EU NASCÍ A ENFERMEIRA ME ENTREGOU NOS BRAÇOS DE MINHA MÃE E DISSE :
- É UMA MENINA, MAIS UMA PARA SOFRER.
ELA NÃO ESTAVA TOTALMENTE ERRADA, MAS A MINHA ESCOLHA, NÃO POR ACASO, FOI A DE SER FELIZ.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O QUE ME É MAIS CARO EM MINHA CASA (EXCETO O TOM JOBIM, CLARO!)

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O POVO DEVE ACREDITAR QUE EU SOU BONITA E RICA.
EU NÃO SOU NEM UMA COISA, NEM OUTRA, NEM NUNCA FUI.
MAS, DESENVOLVI UMA CERTA INTELIGÊNCIA AO LONGO DOS ANOS.
E APRENDI A LUDIBRIAR OS OUTROS COM MALEMOLÊNCIA, E DEVE SER POR ISSO QUE ME VEÊM ASSIM.
POR EXEMPLO, ESTA É A ESTANTE DA MINHA CASA.
CHIQUÉRRIMA, TÁ EM TODAS AS REVISTAS DE DECORAÇÃO.
E EU PAGUEI R$0,00 POR ELA.
ESTAVA EU, UM DIA, PASSEANDO PELO COMÉRCIO DE MEUS PAIS (PEQUENO COMÉRCIO, MESMO, E POUCO PROMISSOR, PROMETE APENAS O QUE DEUS ORDENA), QUANDO ENCONTREI MEU PAI PINTANDO UM DOS MÓVEIS QUE SERVIRIA DE PRATELEIRA.
ME ENCANTEI E PRESTES A DESENCANTAR.
COM CASAMENTO MARCADO, ESCOLHÍ O PRESENTE.
QUERO ESTA ESTANTE.
E SEGUIRAM-SE VÁRIOS CONTRATEMPOS. A CASA PEQUENA, NÃO PASSARIA PELA PORTA, NEM PELA JANELA. MAS, PASSOU...
TÁ AÍ, LINDA E REPLETA.
CLARO, É APENAS UMA CARCAÇA...
BORA, FALAR DO QUE IMPORTA ?
GOETHE, MACHADO, DANTE, DOSTOIÉVSKI, CERVANTES, SHAKESPEARE, CAMÕES, JANE AUSTEN, KAFKA, ARISTÓTELES, EÇA E RAQUEL DE QUEIRÓZ, PESSOA, SARAMAGO, SATRE, COTZEE, MANUEL PUIG, OSCAR WILDE, SIMONE DE BEAUVOIR, SÓFOCLES, NABOKOV, VOLTAIRE, DRUMMOND, ADÉLIA PRADO, HILDA HILST, AUTRAN DOURADO, GUIMARÃES, JOSÉ DE ALENCAR, LIMA BARRETO, MÁRIO QUINTANA, PATATIVA DO ASSARÉ, E OUTROS TANTOS.
 MUITA, MUITA MÚSICA QUE FICA DIFÍCIL DE LISTAR
POIS É, NÃO É APENAS UMA ESTANTE, QUE TEM POR DEFINIÇÃO AQUELA QUE ESTÁ. ESTA DEVERIA SER AQUELA QUE É.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

MINHA HOMENAGEM ATRASADA AO GRANDE PAULO MOURA

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MAIS UMA ESTRELA APAGADA PELAS REDONDEZAS.
PAULO MOURA, COMPOSITOR, ARRANJADOR, CLARINETISTA E SAXOFONISTA, SE FOI.
EU, COM SORTE, PUDE OUVÍ-LO AO VIVO E ALÉM DO MAIS GANHEI UM AUTÓGRAFO CARINHOSO, NA CAPA DE UM DOS MELHORES DISCOS DA ELIS (CONSIDERADO POR ELA SEU PRIMEIRO DISCO), ONDE O PAULO ERA O ARRANJADOR.
UM GRANDE E LUSTROSO SER HUMANO, QUE TRAÇOU UMA LINDA HISTÓRIA E ME PERMITIU CONTAR A MINHA HISTÓRIA COM ELE AQUI.
VAI, PAULO, BRILHA, BRILHA MAIS....

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ecila no Maravilhoso Mundo de Metro

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Meu nome é Ecila.
Estava eu, toda jeitosa e comprimida, voando num tapete público estrambótico, quando, numa sacudidela, este parou na Estação Purgatório, e se assentaram duas raparigas enxovalhadas e esbaforidas de alegria ao meu lado.
Eu trazia comigo meu iPad e lia receitas que eu nunca faria em qualquer disparate.
Quando as duas afogueadas começaram a conversar.
E nenhuma sopa da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo seria mais interessante, e por isso, perplexa, me desconectei.
Uma delas começou:
- Então, foi constatado que eu tinha Clemência! (ela não falava em baixo tom, podia ser ouvida claramente e não se intimidava).Mas, eu venho tomando medicamentos para isso.
Na verdade, eu visitei um médico.
Que me examinou e me perguntou:
- Há quanto tempo você pratica este tipo de atividade para que adquirisse Clemência?
- Eu respondí com polidez: Desde os 12 anos.
Ele deixou de examinar o orifício que olhava atentamente e espantado,e com os olhos espichados, me disse:
- Começou cedo, não é ?
Eu soltei uma risadinha estridente.
Me perguntou, e me pediu que eu respondesse francamente, se depois da Clemência, eu passei a usar as narinas e não os lábios para proferí-la.
Eu disse que:
- Claro! Se eu não podia usar uma parte de mim, passei a usar a outra.
Ele me respondeu :
- É bem perceptível, vejo alguns vasos rompidos em suas narinas.
A boca é adaptada ao tamanho da Clemência, mas as narinas não.
Eu disse, sem engasgar:
- Amei usar as narinas, de cabo a rabo. Não posso continuar a usá-las ?
Mais uma vez, ele se espantou inquisitivo:
- Isso realmente te dá prazer! Bom ,isso não seria o mais correto, mas se te dá prazer, pode usar as narinas uma vez por mês para suspirar Clemência.
Mas, o mais adaptado seria a boca.
- Doutor, não posso usá-las uma vez por semana ?
Espantado ao triplo com meu desejo inadaptável e anacrônico, murmurou que seria arriscado.
Na verdade, amiga, eu acho que a mulher do Doutor nunca deixou nada sair ou entrar de suas narinas.
Ele é casado. E um Pitéu.
E além do mais, tenho uma nova consulta com ele daqui a um mês.
E vou descobrir seus segredos por um dos sete buracos da minha cabeça, instantaneamente, sem dúvida ou Clemência.

*As palavras em itálico foram retiradas do livro de Lewis Carroll: Alice no País das Maravilhas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

EN EL COCHE

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IR AO TRABALHO DE CARRO, NÃO TEM A MÍNIMA GRAÇA, PRINCIPALMENTE SE É DE CARONA COM MEU IRMÃO,SENDO OBRIGADA A OUVIR MÚSICA GOSPEL ( NADA CONTRA O TIPO DE LOUVOR, MAS A MÚSICA É RUIM DEMAIS, E O ESTILO DOS CANTORES, PIOR AINDA)
APENAS UM DIA LONGE DO METRÔ E LOTAÇÃO ME DEIXOU SAUDOSA.
TAVA HÁ MUITOS DIAS PRA ESCREVER SOBRE O METRÔ, QUE PARECE OUTRO MUNDO, UM UNIVERSO INDEPENDETE.
E COMO JÁ POSTEI ANTERIORMENTE ME PERMITE LER DOIS LIVROS POR SEMANA.
DIAS DESSES VINHA VINDO EU TRAFEGANDO POR ESTE AMBIENTE NADA INÓSPITO, LENDO ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS QUANDO DUAS “MOÇAS” SE SENTARAM A CERCA DE MIM. COM ASSUNTO TÃO INTERESSANTE E TALVEZ MAIS FANTÁSTICO QUE MEU LIVRO.
E POR ISSO SERÁ TEMA DO MEU PRÓXIMO POST.
CONHECÍ O PAULO, UM HOMEM QUE GOSTA DE MOCINHOS, TINHA TOMADO UMAS PINGAS E ME DEU UM LIVRO DE PRESENTE.
CONHECÍ UMA MOÇA QUE LIMPA OS TRENS E QUE SE INTERESSOU POR UMA REVISTA DE MULHERZINHA QUE EU TRAZIA COMIGO E PEDIU PRA LER O HORÓSCOPO.
E CONHECÍ O RAFAEL (NÃO SEI PORQUE PARECE QUE TODO MUNDO QUE CONHEÇO ULTIMAMENTE SE CHAMA RAFAEL), UM MENINO DEFICIENTE VISUAL QUE COMEÇOU A CANTAR EM PLENO METRÔ COM A FAMÍLIA ENVERGONHADA AO LADO E EU DIZENDO: DEIXE ELE CANTAR.
AQUELE SIM SABIA COMO EMITIR UM SOM....
LUGAR LINDO, CHEIO DE SERES INCRÍVEIS, É ESTE PELO QUAL TRAFEGO SEM TRÁFEGO......

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Noite Calada

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Ele me disse todas aquelas palavras
ao telefone. Desligou.
Eu procurava palavras. Chorava...
Foi quando meu amigo Carlos bateu
à porta. Abri.
As palavras tinham chegado, ele viu
o meu estado:
“A poesia é incomunicável. Fique torto
no seu canto. Não ame.”
Foi uma beleza, eu precisava de poucas
palavras. Ele tinha tantas.
Mais alguém à porta. Era Cecília, linda,
Aqueles olhos tristes...
Nós, Carlos e mais algumas palavras.
Ele se foi.
Nós e algumas sinceras palavras.
Ceci me contou que me procura em suas noites.
Não; foi assim que me disse:
“Vem a lua, vem retiro as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua figura”.
Nós e nenhuma palavra.
Beijo, carinho, desejo.
Já era noite, não via Cecília.
Fiquei só e calada. O telefone tocou era Vinícius.
Nem alô me disse, disparou:
“É claro que a vida é boa
E a alegria a única indizível
Emoção. É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas
Simples. É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas, acontece que eu sou triste....”
Entendí aquelas palavras.
Apaguei a luz e ilhada por livros
Não sentí falta de mais nada.



Poemas citados : “Dialética” de Vinícius de Moraes, e trechos de “Segredo” de Carlos Drummond de Andrade e “Reinvenção” de Cecília Meireles

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BALANGADÃS

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Meu amor estava cheio de bufunfa dia desses.
Comendo um petisco me disse : Vá ali na loja ao lado e escolha um presente.
Por coincidência a loja tinha o mesmo nome de meu marido.
E comprei Balangadãs. Sempre amei balangadãs. Umas das lojas que eu mais frequentei era a Pendurikalhos. Mas desta vez, na minha vida pós-cristã, o Balangandã era de outro tipo.
Guardei o presente, e só hoje, depois de alguns muitos dias pude "usá-lo".
Encantada como da primeira vez, ouvi Ná Ozetti em seu mais novo trabalho.
Que timbre!Que personalidade! Que coisa linda!!!
Tão especial como uma descoberta, como se surgisse uma nova cantora.Que Céu? Que Cañas ? Que nada!
A cantora da vez é Ná Ozetti, cantando divinamente repertório da Carmem em BALANGADÃS.
E mais uma vez meu bem me enfeitou com mais este regalo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Augusta, Inverno de 2010

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O mesmo bar de quatro anos atrás
Com uma nova tristeza que não me apraz
Sozinha de novo em meio à multidão
E no peito um esfarelado coração

Viver com coerência certificando-me
Da minha rara demência
Não seria melhor abandonar tals ais?
Acontecem que já me fizeram bem demais

Essa covardia corajosa que em mim carrego
Amando do fundo da alma aquilo que nego
Não são mais múltiplos braços envoltos a mim
São os únicos dois que me abraçam assim,assim

T.Pinheiro

quinta-feira, 15 de julho de 2010

You bring me too you

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All night I am flying of hands given with you
I am dreaming quiet to
Beautiful things happen since they cannot happen of fact
Oh, How I want my freedom back

It must have some place where the dreams are real and the life not
There, where I will enjoy sweetness by your side,rigth spot
You bring me to you, to each word you said
You bring me to you, to each word you said

But, they will be many hearts crackeds
Because of this I just dream with you

Beautiful things happen since they cannot happen of fact
Oh, I want my freedom back
I want my freedom back
Oh, I want my freedom back

You bring me to you, to each word you said
You bring me to you, to each word you said
You bring me to you, to each word you said
You bring me to you, to each word you said

(Walking After You - Foo Fighters, free translate by T.PInheiro)

terça-feira, 13 de julho de 2010

O outro

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Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro

Mário de Sá Carneiro

domingo, 11 de julho de 2010

MES NEVEUX

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O DESEJO DE PASSAR A MINHA VIDA
COM A MÃO EM SEUS CABELOS
MINHA ORAÇÃO DEVOTADA
PARA MEUS OLHOS NOS SEUS CARREGÁ-LOS

O SONHO DE TER A MINHA VOZ
EM SUAS NOITES PARA CONTAR
HISTORIAS CRIADAS POR NÓS
E DEPOIS NUMA CANTIGA DE NINAR

A ESPERA DE SENTIR SEU SORRISO
EM MINHA PELE PARA SENTÍ-LA ÚMIDA
RENOVANDO POROS DE VELHO VISO
ALEGRIA MOLHADA QUE ME DEIXA MUDA

VIVER PRA SEMPRE ESTA MAGIA
QUE É ÚNICA, MAS NÃO VOCÊS,
QUE ME CHAMAM DE TITIA
MEU GRANDE AMOR, E SÃO TRÊS

sábado, 10 de julho de 2010

30 ANOS SEM VINÍCIUS

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(Caricatura do grande Sérgio Raul Morettini)


30 Anos sem o Poetinha,e por incrível que pareça um de seus rebentos encontrou uma nova poesia que o Edu Lobo vai musicar. Que alegria!!! E viva a imortalidade da arte.
Eu que não sou boba, nem nada e venho aprendendo a usufruir da "modernidade", ví o texto original num vídeo na internet e depois de muitos pauses comseguí capturar parte da poesia do Vinícus, talvez eseja completa, não sei.
Mas, uma linha seria o bastante, principalmente para mim que amo despetalar a flor do Silêncio...

SILÊNCIO

CRÊ APENAS NO AMOR
E EM MAIS NADA;
CALA BEM, MEU AMOR
QUEM DIZ MUITO, DIZ NADA...

CALA
ESCUTA O SILÊNCIO
ESCUTA O SILÊNCIO QUE FALA DE TUDO
MAIS INFINITAMENTE;
OUVE
OUVE SOSSEGADA
A VOZ COMOVIDA
QUE FALA DA VIDA
MAIS PROFUNDAMENTE;
É O AMOR QUE TE FALA
É O AMOR QUE SE CALA
E QUE DESPETALA
A FLOR DO SILÊNCIO...
SILÊNCIO...
SILÊNCIO...

Vinícus de Moraes

sábado, 3 de julho de 2010

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

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(Para Lucas Santos)

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
Às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
Para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


Manoel de Barros

TUDO O QUE NÃO INVENTO É FALSO

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Tenho um horário de trabalho privilegiado, principalmente para uma notívaga, como eu.
Ultimamente,mudei meus hábitos de transporte e voltei a ser a boa e velha devoradora de livros.
Meu apelido de infância foi bem premonitório: Bayana.
No fundo, no fundo, eu sabia que não me casaria com nenhum leitor assíduo.
Meu marido é um baiano típico, daqueles mesmos, que não nascem, estreiam.
E viver junto ,também, traz esse porém, a gente tenta tornar agradável o conviver, e nada mais desagradável do que viver com alguém que fica pendurado silenciosamente num livro.
Por isso meu ritmo mudou tanto.
Então, me deslocar pela cidade, todo os dias, de ônibus e metrô tem sido eufóricamente incrível.
Tanto que em duas semanas já estou no quarto livro.
Totalmente apaixonada por Diário de Um Ano Ruim do Cotzee. A gente termina a leitura, que tem recebido o adjetivo de desconfortável pela crítica, com a certeza de que J.M. é um gênio. E, com o ego inflado,estava na última página me se sentindo um pouco gênio também.
Mas o livro que quero ressaltar é o lindo : Histórias Inventadas – A Infância, de Manoel de Barros (Editora Planeta).O livro são folhas soltas, amarradas por 1 fita lilás e guardadas em 1 caixa de papel reciclado.
E o conteúdo ?!? Que conteúdo! Que profundidade, que primor.
Beleza pura.
Cheguei mais feliz e melhor na empresa em que trabalho, depois d’A Infância( e aguardo aflita pelo documentário biográfico do “poeta” : Só dez por cento é mentira).
Se o tivesse lido na quarta e não na quinta-feira saberia o que dizer num boêmio jantar, regado à bifes e batatas-fritas, em meio aos meus colegas de informática.
Acontece, “que eu não sou da informática:
eu sou da invencionática”.

sábado, 19 de junho de 2010

E AGORA, JOSÉ ?

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Por estes dias o país ficou excessivamente verde-amarelo.
Por onde quer que se vá, com quem seja que se encontre o colorido segue, mas foi também por estes dias mesmo que o mundo ficou mais gris.
José Saramago é infinitamente mais importante que a Copa do Mundo.
Pelo menos para mim.
E por isso, deixo aqui meu lamento. Sem ele o mundo perde um pouco do cheiro, um pouco do gosto, um pouco do tato e principalmente, um pouco da cor.
O único representante de nossa língua ganhador de um Nobel.
Mas sua enormidade não se resume nisso, Saramago foi muito mais; motivou idéias, fez rir, chorar, pensar, e sua grandeza é resumida em como dedicou o prêmio mais importante das Letras.
" ... dedico este prêmio ao meu avó, o homem mais sábio que conhecí em minha vida e que não sabia nem ler, nem escrever..."
Meu mundo, tá xôxo, cinzinha...
Um mundo sem boa literatura, é um mundo menos poético.
Anteontem foi Drummond, ontem Saramago, e agora, José?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

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Finalmente minha ansiedade foi controlada e deu lugar ao êxtase.
Que beleza é assistir um Tim Burton; obra de arte mesmo, fico extasiada.
Sou uma pessoa que raciocina muito , mas lentamente. Tenho até dificuldade para entender completamente uma obra. Mas , claro sempre tiro meu proveito, e aí é que está a beleza da Arte, nas tantas possibilidades.
Por exemplo, Drummond declarou que num dos vestibulares da USP havia uma questão sobre uma de suas obras que nem ele mesmo saberia responder.
Lamentei não ter lido a obra de Lewis Carroll antes de assitir ao filme, afinal, Alice de Tim é uma continuação (e aqui fica minha dica, leia Alice antes de assistí-lo e na versão 3D sente-se nas poltronas da frente, muito mais real).
Porém, meu propósito é falar de outra menina neste post, o nome dela é Thamires Pestana (tem Pest por apelido,e logo direi o porquê), tem 11 anos a menos que eu e trabalhamos na mesma empresa.
Thamires é muito inteligente, quase experiente, como se tivesse vivido 40 e não 20 anos, e é super sincera. Daquelas sem papas na língua, que se revolta com certos assuntos, ou simplesmente quer mostrar sua opnião e por isso expõe de maneira explícita suas idéias. A torto e a direito!
Eu , talvez não demonstre como ela, minha experiência adquirida em dias a mais, porém, por gostar da garota, fui fazer uso do que viví e dizer a ela que quando formos dar nossa opinião, de preferência, que seja solicitada por alguém.
Mas, ela me respondeu que não concordava comigo, e que dizia o que pensava, porque quer que as pessoas, reflitam e sejam melhores.
Nossa cultura brasileira é de omissão de opniões sinceras, quando sua amiga pergunta se o vestido que pagou tão caro não é vulgar, dizemos aquele murcho : É bonitoooo...
A beleza de Alice está em sua fabulosa mensagem, que às vezes precisamos enfrentar certas situções para descobrirmos nossa força e realmente quem somos.
A Alice de Tim Burton volta do País das Maravilhas Thamires Pestana, decidida e super sincera.
Algumas, pessoas podem, como eu fiz, questionar o jeito, a postura do outro, mas a sinceridade da Thamires é como a grande cabeça da Rainha Vermelha,não surgiu por feitiçaria ou encantamento.
Pode até causar estranhamento, mas faz parte da incrívelmente bela diversidade humana.
Outra lição de Tim.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CRIA

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Eu estava perdidamente por você apaixonada
Principalmente por sua sinceridade demasiada
Você me traduzia tão sábia e facilmente
Transformando sentimentos duros em palavras,docemente

Eu te admirava e te exibia
Porque eu cria que tua singeleza tocaria
Até os corações mais adormecidos
E que depois de ti não se sentiriam esquecidos

Eu temia perder-te de tal forma
Que te carregava como um devoto torna
Leve carregar a pesada cruz nas costas
Te trazia em meu colo e nunca diria me esgotas

Havia te encontrado há pouco tempo
E nem sentia as horas passarem com o vento
Eu adormecia num sono tranquilo
Com a certeza de repetirmos tudo aquilo

De repente fui surpreendida, alguém te tomou-me
Sem entender-te, nem saber teu nome
Tú, ingenuamente, te deixastes levar
Eu, atônita mal sabia o quê falar

Até que depois de tanto sofrer
Como uma mãe que com tanto amor e querer
Perde seu filho sem entender o porquê
( Tú eras meu rebento e sem ti queria morrer)

Descobrí que não eras exatamente o que eu pensava
Era apenas o reflexo de algo que eu tanto buscava
Algo que não podia ser nunca roubado
Porque vivia dentro de mim guardado

Voltastes pelo mesmo caminho sem fim
Já que, na verdade, eu que de ti nascia
E tú não nascestes de mim
Eu tua cria, tú minha poesia


T.Pinheiro (depois de ser assaltada num farol da Praça da Sé e levarem uma de minhas poesias)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tim Burton

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Enquanto aguardo ansiosa pela estreia de Alice No País das Maravilhas, me deleitei com mais uma surpresa deste cineasta que está na lista dos meus preferidos (se é que isso vale alguma coisa).
Gênio é gênio e a gente sabe disso. O cara além de toda sua linda sétima arte, tendo entre sua filmografia os seguintes títulos: Edward Mãos de Tesoura, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, A Fantástica Fábrica de Chocolate, "Sweeney Todd", banca de artista plástico.
E dos bons! Não por acaso tem, atualmente, uma exposição em um dos museus mais importantes do Mundo, o MoMA de Nova Yorque.
Bem, eu deixo aqui uma de suas obras, tem mais na internet é só buscar.
E viva o cinema!!!
Aquele que te entretém da melhor maneira, fazendo seu cérebro trabalhar.


Tim Burton. (American, b. 1958) Blue Girl with Wine. c. 1997. Oil on canvas, 28 x 22" (71.1 x 55.9 cm). Private Collection. © 2009 Tim Burton

domingo, 4 de abril de 2010

PODEMOS VENCER ?????

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NESTE MUNDO DE CULTURA TÃO ACESSÍVEL ( O MUNDO DOS MEUS SONHOS DE DEZ ANOS ATRÁS ), SURGEM CERTOS “PORÉMS”(VIVA GUIMARÃES ROSA!), QUE SÃO JUSTAMENTE UM CERTO SUOR DESAGRÁDAVEL DE SONHO TÃO PERFEITO.
EU SEMPRE QUIS TER ACESSO À TODOS OS FILMES , DISCOS , PEÇAS , EXPOSIÇÕES , LIVROS E SHOWS.
É COMO SER MISERÁVEL E SONHAR EM SER MILIONÁRIO. A GENTE NUNCA IMAGINA O QUE VEM NO PACOTE.
ASSISTO A MUITOS FILMES, COMO SEMPRE SONHEI, TANTOS QUANTO O ZÉ WILKER, E NA MAIORIA DAS VEZES ACHO QUE ESTOU PERDENDO MEU TEMPO.
CONHECÍ HÁ QUASE DEZ ANOS UM CINEASTA CHAMADO CAIO PLESSMANN QUE ME DIZIA QUE O CINEMA ESTAVA MORTO, NÃO QUIS E NÃO QUERO ACREDITAR !
MAS, ÁS VEZES ACHO QUE ESTOU PERDENDO MEU PRECIOSO TEMPO ...
HÁ RARAS EXCESSÕES QUE ME FAZEM ACREDITAR QUE NÃO SÓ O SAMBA NÃO MORREU, COMO TAMBÉM O CINEMA VIVE. NÃO ME LEMBRO UM QUE POSSA AGORA RECOMENDAR, MAS A MINHA DISPOSIÇÃO EM ESCREVER MAIS ESTE POST (QUE SEI QUE NINGUEM LERÁ) TEM OUTRO MOTIVO.
É RELACIONADO A UM FILME QUE ASSISTÍ HOJE E QUE ME FAZ REFLETIR SOBRE OUTROS TEMAS, OU AO MESMO TEMA DE SEMPRE, DA MINHA VIDA, DAS MINHAS IDÉIAS, DAS MINHAS CONVERSAS E MEIO SEM QUERER, E CONSEQUENTEMENTE, DESTE BLOG.
O FILME É : “A DUQUESA ( THE DUCHESS) , NÃO RESSUCITARIA O CINEMA, MAS VALE PELA HISTÓRIA:
GEORGIANA SPENCER (KEIRA KNIGHTLEY ) CASOU-SE AOS 18 ANOS COM O DUQUE DE DEVONSHIRE ( RALPH FIENNES), QUE QUERIA A TODO CUSTO TER UM FILHO. POSSUINDO O TÍTULO DE DUQUESA DE DEVONSHIRE, LOGO GEORGIANA DEMOSNTROU SUA INTELIGÊNCIA E PERSPICÁCIA PERANTE A CORTE INGLESA. MESMO SENDO UMA MULHER EXTREMAMENTE INTERESSANTE DEPARA-SE DIVERSAS VEZES COM A INFIDELIDADE DO MARIDO, INCLUSIVE CRIANDO UMA MENINA, FILHA DO DUQUE DE UMA RELAÇÃO EXTRACONJUGAL.
ELA NÃO CONSEGUIA DAR UM FILHO AO DUQUE, COM TODAS SUAS TENTATIVAS DE FICAR GRÁVIDA RESULTANDO EM ABORTOS OU EM FILHAS. O DUQUE AINDA PERMITE QUE UMA DE SUAS AMANTES CONVIVA COM ELES EM SUA CASA E POR MAIS PERSPICAZ E INTELIGENTE, GEORGIANA ACABA SUPORTANDO TODA HUMILHAÇÃO PARA NÃO PERDER A POSSE DOS FILHOS. SEU SOFRIMENTO PROSSEGUE NO FILME, E TAMBÉM ATÉ O ÚLTIMO DIA DE SUA VIDA.
É APENAS MAIS UMA HISTÓRIA DE RESIGNAÇÃO FEMININA, E NEM PARECE QUE ACONTECEU HÁ QUASE TREZENTOS ANOS ATRÁS.
CONHEÇO HISTÓRIAS, MUITO OU POUCO, PARECIDAS COM ESTA QUE ACONTECERAM HÁ 30, 20 ANOS E TALVEZ ACONTEÇAM AINDA HOJE.
E O QUE ME DEIXA FELIZ É QUE MINHA LUTA, FEMININA E CONSCIENTE, ME PERMITIU PENSAR, REFLETIR , CONTINUAR LUTANDO E SEI QUE UMA DAS CONQUISTAS DESTA LUTA É TER AO MEU LADO O HOMEM QUE EU AMO, E QUE EM CONTRAPARTIDA ME AMA , ME RESPEITA E QUE ENQUANTO EU ASSISTÍA AO FILME ME PREPARAVA UM SABOROSO ALMOÇO, NÃO DE FORMA SUBMISSA, MAS SIM DE FORMA AMOROSA.
PODEMOS OU NÃO VENCER ?!!!?

quarta-feira, 17 de março de 2010

UMA ETERNA ESTRELA A LUZIR

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Não poderia deixar de postar uma homenagem à minha cantora preferida dentre todas as outras do mundo (e não por acaso, conheço Edith Piaf, Billie Holiday, Maria Callas e Amália Rodrigues).


Pois é, hoje ela faria 65 anos, mas não precisou andar de ônibus sem pagar, já que tinha asas e voava cheia de graça.
Como seu filho João Marcelo declarou, até nisto ela foi a cantora perfeita, não se corrompeu artísticamente e partiu no auge, lá onde a estrela brilha.
E pra mim, ela continua brilhando lá e aqui...

segunda-feira, 8 de março de 2010

JÁ DÁ PRA COMEMORAR, NÉ ?

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TÁ CERTO QUE A DATA SURGIU DE MAIS UM DOS ABSURDOS ATENTADOS CONTRA A MULHER.
EM UM CERTO 8 DE MARÇO OPERÁRIAS EM GREVE FORAM TRANCAFIADAS NA FÁBRICA EM QUE REIVINDICAVAM SEUS DIREITOS E INCINERADAS.
E CONTINUAMOS LUTANDO .
ESTAMOS A CADA DIA MAIS DISTANTES DA SOCIEDADE PATRIARCAL, ALCANÇANDO NOSSOS DIREITOS E NOSSA LIBERDADE.
NÃO PODEMOS FECHAR OS OLHOS PARA A VIOLÊNCIA E INJUSTIÇA QUE CONTINUAMOS A SOFRER.
A LUTA NÃO ACABOU. PORÉM, NÃO APENAS CONSEGUIMOS O DIREITO AO VOTO, COMO JÁ SOMOS PREFEITAS, DEPUTADAS, PRESIDENTAS.
JÁ NÃO ESTAMOS MAIS TÃO SUJEITAS À DEPENDÊNCIA MASCULINA. AS ESPOSAS NÃO SÃO MAIS TÃO HUMILHADAS E RECUADAS, TEMOS NOSSA PARTICIPAÇÃO E VOZ.
E ALÉM DO MAIS, ACORDEI RECEBENDO UM LINDO BOUQUET DE ROSAS, HOJE.

(CARMEM MIRANDA DO ARTISTA SERGIO RAUL MORETTINI QUE COM SUA SUBLIME ENERGIA CONSEGUE TRANSFORMAR A PEQUENA EM AINDA MAIS NOTÁVEL )

domingo, 7 de março de 2010

Alô ?

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Hello boy, hello, Johnny
Mais parece conversa de telefone
Cito um autêntco boêmio
Mas, falo de outro gênio

Veio muitos anos depois de Noel
E parece que só passou pelo céu
Nem sei se alguém sabe que morreu
Nem minha vó, nem meu pai, apenas eu

É óbvio que tava na internet e no jornal
Mas, muito menos visitado, isso é normal
Que a bunda da Luiza Brunet no Carnaval
Seguramente nada podia me fazer tão mal

O cara, o negro, o precursor
Da nova, da velha, da bossa fazedor
Eu o ví, paguei,ouví, o assistí
Mas, acho que se pergunta : Eu nascí ?

Já passo minha vida sem Vinícius, sem Jobim
E assim a coisa ,aqui, vai ficando bem ruim
Vida dura, sem esse que também compunha
E que não fez da música qualquer calúnia

Mais fácil nesse país ficar famoso
Um ET de nome Alf, o eteimoso
Do que um cantor brilhante ao microfone
Este foi grande; agora, brilha, Johnny

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

GERVASIO TROCHE

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Doce Ilusão ?

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Tenho sorrido um riso sem gosto
E cantado marchas que eu mesma inventei
Sem querer, sorrindo, coloquei
Máscara melhor em meu rosto
Que aquela que quando sofrí ganhei

Tenho sambado sem par num ensaio teatral
E mirado para penetrantes olhos inexistentes
Que me dizem o quão difícil
É encontrar a paz que só há
No terrível turbilhão de amar

Tenho envolto meus braços em tantos outros
Sentindo escorrer meu suor por corpos mortos
E por minha insistência sinto pulsares absortos
De pierrots ou serão de anjos quase tortos ?

Descanso um descanso injusto
Sozinha, estática em meio à folia
Sem entender tanta serpentina e alegoria
Pulo como que de um susto
E salto, fingindo que o que busco
Se apresenta: Muito prazer, sou a alegria

Caída a máscara se vê minha boca enrugada
E percebo que já não há nada,quando de uma
Única hora distraidamente festejada
Me sobram dias e dias de Cinzas

A boca à mostra decido mantê-la cerrada
Me asegurando de que um grito de
Carnaval para sempre será mantido
Agora se vê pelo meu corpo a carne exposta
Entre olhos e meia máscara a dor está posta

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOMOS OU NÃO SOMOS O SEXO FORTE ?

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Quantas Joanas , Renatas, Aparecidas, Dulces, Marias devem ser humilhadas, ameaçadas, agredidas e mortas para que , nós mulheres, possamos viver com segurança, proteção e dignidade ?
Ontem foi uma Maria, hoje é outra : a Maria da Penha não pode proteger a Maria Islaine.
No ano de 1983, Maria da Penha, biofarmacêutica brasileira, era casada. Seu marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002,hoje está livre.
A história, luta e conquista de Maria da Penha não puderam salvar Maria Islaine.
No ano de 2010, Maria Islaine, 31 anos, foi assassinada pelo ex-marido. O crime aconteceu diante de câmeras instaladas no salão de beleza que Maria Islaine era proprietária e na presença de mais três mulheres.
Maria Islaine havia registrado oito boletins de ocorrência contra o ex-marido, que a ameaçava frequentemente. Também gravou um pedido de socorro à polícia: "Tenho uma intimação que a juíza expediu por causa do meu marido, que me agrediu. Eu o levei na Lei Maria da Penha. Era para ele ser expulso de casa. O oficial veio, tirou de casa, só que ele está aqui e ainda está me ameaçando" . O assassino já havia jogado uma bomba contra o portão do salão de beleza há cerca de quatro meses.
Maria Islaine, recorreu à lei Maria da Penha. Ela tentou se proteger como pode, instalando câmeras no seu local de trabalho, mostrando que realmente estava sofrendo violência, com ameaças e atentados. Mesmo com pedidos de socorro e boletins de ocorrência, a polícia não levou esta mulher a sério, prevalecendo o conceito da "briga doméstica", ou a máxima de que "em briga de marido e mulher não se mete a colher".
Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei Maria da Penha,na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.
Quando eu digo que Maria da Penha não pode impedir a morte de Maria Islaine, não falo da mulher.
Maria da Penha foi longe, lutou , e nos sentimos vitoriosas com a sanção de uma Lei que nos proteja.
Porém , se tratando de Lei , falamos em Justiça, aquela que em nosso país é cega, tardia, falha, fraca.
E falando em força registro aqui uma foto dos últimos minutos de vida de Maria Islaine. Que mesmo abordada brutalmente por um homem ,covarde, com uma arma em punho, aquela mulher era a personificação da Coragem. Essa imagem me emociona e me dá orgulho.


Por isso,tenho certeza de que nossa luta deve continuar e devemos estar sempre conscientes do que nos cerca , mas principalmente , conscientes do que vive dentro de nós.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Todas as Cores da Dor (ao meu pai)

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Infortunadamente a memória alegre me falha.
Da triste infantil lembrança, esmiuçada e rala,
Trago o joguete (da vida?) ganhado sem data especial.
Não mais imprevisto que o abraço resquicioso de um homem mal.

Em minha tenra juventude a alegria de abraços mil
Carregam a verdadeira essência de uma imagem pueril.
Atores, ardores, rancores? Tudo que vil antes não via, agora
Surgira. Partira a mentira, era o medo inóculo da solidão na boa hora.

Sobrara a visão clara de que me restavam migalhas premeditadas,
Restos transformados em ceia para quem as cata embaixo das mesas.
Se me faltaram amores, tinha prestado favores no conto que se ia.
Nova dor infinda quando busco e não vejo fraternos em minha agonia.

Deitada na cama larga, as horas da longa espera na noite fria,
Numa imensa devoção aqueço o leito para onde ninguém viria.
Certo de que se alguém viesse para aumentar o grau de meu coração
Gozaria a tal noite em meu cômodo peito e a paga seria a traição

Vitória esperava, com diferença de placar para o meu altruísmo,
Elogio pelo simples fato de, todavia não ter cedido ao abismo.
Sobre a mais grandiosa de todas as obras, da construção participei
E em troca agressões e abandono recebi de quem edifiquei.

Já em tempo tão distante, conto as chagas que estão incutidas em meu corpo.
Para que eu não as sinta, nem as nomeie com nomes conhecidos muito ou pouco,
Acaricio as feridas num tempo reservado que sei que me é tão escasso,
Observando apenas as cores, o brilho e nuance de um artista relapso.

Aprisionada (por eles ou por mim?) me encontro neste quarto vazio
Espio as paredes manchadas sem bem entender como ainda vivo.
Sem saber exatamente se o Mal ,de tal complicado nome, que trago é letal,
Aguardo duro diagnóstico que descreve uma futura forma fetal.

Não sei ao certo se esta é realmente a história que vivi
Ou apenas personagens de um único livro que lentamente li.
Às vezes, me vem a certeza de que sou eu a estranha autora
Deveras é longe e não me vejo nem leitora, nem a mulher pecadora.

Se, por acaso, eu pudesse escrever ou reescrever, faria breve.
Escuto o incentivo de meu generoso Pai com voz leve.
Ansiosa por uma história de sucesso, começo assim para que se faça jus
E disse Deus Haja luz em tua vida. E houve luz.

Na última página do livro com nova capa, ouve-se a gargalhada de criança
Que abruptamente, de um salto, com um beijo meu sorriso alcança
Aponta o roxo, amarelo, azul e vermelho de meus joelhos de pele carcomida
Cores de legítimas dores destes joelhos gratos e prostrados no jardim de minha refeita vida .

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Cuide-se"

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O e-mail em que Grégoire Bouillier rompe com Sophie Calle traduzido por T. Pinheiro

Tive medo de responder seu último email, porém sabia que seria muito mais díficil encará-la frente a frente. Por isso, criei “coragem” e decidí escrever; seria mais fácil pra mim.
Você já pôde notar que não estou bem ultimamente. Não aguento mais fingir o tempo todo. Sinto um incômodo terrível, porém minha covardia foi maior e empurrei esta história com a barriga durante todo este tempo.Quando nos conhecemos, você, sabendo do meu duvidoso caráter, exigiu fidelidade. Como bom conquistador apaixonado aceitei tal exigência, mas nâo por muito tempo.
Na verdade achei que conseguiria;amava ser tâo amado por uma mulher que sabia quem eu era. Pensei que sendo amado por uma mulher forte e inteligente, eu poderia me sentir satisfeito.Mas não. Sabia que nem meu trabalho me faria esquecer as “outras”. Não resistí, e em pouco tempo estava eu envolto em outros braços. Tive que esconder, mentí, pois também te desejava e por isso não queria te perder.
Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente.Quando você me disse isso, mais uma vez, tive medo. Estava envolvido por você, uma mulher jovem e desejável, apesar de ainda assim ser muito mais velha que eu. Essa imposição me pareceu desastrosa, injusta (já que você ainda via B., R.,…) e incompreensível (obviamente…).Mas, nosso relacionamento se desgastou, os anos se passaram e você não me parecia tão desejável quanto antes. Por isso, sei que das imposições que você me fez, deixar de ser seu amigo será a única que poderei cumprir e de bom grado.Claro que eu prefiro que você me ame o resto da sua vida, faria muito bem ao meu ego, mas com certeza este amor não me faria voltar atrás.
Cansei da farsa, depois deste email você deve saber que para nosso caso nâo há remédio.Mesmo com você ainda me amando tanto. Não me pergunte porque este surto de sinceridade, sabemos que os homens não são sinceros.
Óbvio que eu preferia sair da história como bom moço, mas, desta história eu não fui o autor e não pude dar um rumo diferente a ela.

“Cuide-se”

Para Lucilene

"Cuide-se"

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O e-mail em que Grégoire Bouillier rompe com Sophie Calle

"Há algum tempo, venho querendo responder seu último e-mail.Na verdade, preferia dizer o que tenho a dizer de viva voz.No entanto, vou fazê-lo por escrito.
Você já pôde notar que não estou bem ultimamente. É como se não me reconhecesse em minha própria existência. Sinto uma espécie de angústia terrível, contra a qual não consigo fazer grande coisa, exceto seguir adiante para tentar superá-la. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a 'quarta'. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as 'outras', não achando logicamente um meio de vê-las sem transformar você em uma delas.
Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que o seu amor — o mais benéfico que jamais tive — seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'. Pensei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições nem sequer de lhe explicar o estado em que mergulhei. Então, nesta semana, comecei a procurar as 'outras'. Sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Nunca menti para você e não é agora que vou começar.
Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…). Com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Você pode, então, avaliar a importância de minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante de sua vontade, ainda que deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre os seres e a doçura com que você me trata sejam coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você do modo que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.
Mas hoje seria a pior das farsas manter uma situação que, você sabe tão bem quanto eu, se tornou irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.
Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.
“Cuide-se."