quarta-feira, 17 de março de 2010

UMA ETERNA ESTRELA A LUZIR

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Não poderia deixar de postar uma homenagem à minha cantora preferida dentre todas as outras do mundo (e não por acaso, conheço Edith Piaf, Billie Holiday, Maria Callas e Amália Rodrigues).


Pois é, hoje ela faria 65 anos, mas não precisou andar de ônibus sem pagar, já que tinha asas e voava cheia de graça.
Como seu filho João Marcelo declarou, até nisto ela foi a cantora perfeita, não se corrompeu artísticamente e partiu no auge, lá onde a estrela brilha.
E pra mim, ela continua brilhando lá e aqui...

segunda-feira, 8 de março de 2010

JÁ DÁ PRA COMEMORAR, NÉ ?

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TÁ CERTO QUE A DATA SURGIU DE MAIS UM DOS ABSURDOS ATENTADOS CONTRA A MULHER.
EM UM CERTO 8 DE MARÇO OPERÁRIAS EM GREVE FORAM TRANCAFIADAS NA FÁBRICA EM QUE REIVINDICAVAM SEUS DIREITOS E INCINERADAS.
E CONTINUAMOS LUTANDO .
ESTAMOS A CADA DIA MAIS DISTANTES DA SOCIEDADE PATRIARCAL, ALCANÇANDO NOSSOS DIREITOS E NOSSA LIBERDADE.
NÃO PODEMOS FECHAR OS OLHOS PARA A VIOLÊNCIA E INJUSTIÇA QUE CONTINUAMOS A SOFRER.
A LUTA NÃO ACABOU. PORÉM, NÃO APENAS CONSEGUIMOS O DIREITO AO VOTO, COMO JÁ SOMOS PREFEITAS, DEPUTADAS, PRESIDENTAS.
JÁ NÃO ESTAMOS MAIS TÃO SUJEITAS À DEPENDÊNCIA MASCULINA. AS ESPOSAS NÃO SÃO MAIS TÃO HUMILHADAS E RECUADAS, TEMOS NOSSA PARTICIPAÇÃO E VOZ.
E ALÉM DO MAIS, ACORDEI RECEBENDO UM LINDO BOUQUET DE ROSAS, HOJE.

(CARMEM MIRANDA DO ARTISTA SERGIO RAUL MORETTINI QUE COM SUA SUBLIME ENERGIA CONSEGUE TRANSFORMAR A PEQUENA EM AINDA MAIS NOTÁVEL )

domingo, 7 de março de 2010

Alô ?

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Hello boy, hello, Johnny
Mais parece conversa de telefone
Cito um autêntco boêmio
Mas, falo de outro gênio

Veio muitos anos depois de Noel
E parece que só passou pelo céu
Nem sei se alguém sabe que morreu
Nem minha vó, nem meu pai, apenas eu

É óbvio que tava na internet e no jornal
Mas, muito menos visitado, isso é normal
Que a bunda da Luiza Brunet no Carnaval
Seguramente nada podia me fazer tão mal

O cara, o negro, o precursor
Da nova, da velha, da bossa fazedor
Eu o ví, paguei,ouví, o assistí
Mas, acho que se pergunta : Eu nascí ?

Já passo minha vida sem Vinícius, sem Jobim
E assim a coisa ,aqui, vai ficando bem ruim
Vida dura, sem esse que também compunha
E que não fez da música qualquer calúnia

Mais fácil nesse país ficar famoso
Um ET de nome Alf, o eteimoso
Do que um cantor brilhante ao microfone
Este foi grande; agora, brilha, Johnny

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

GERVASIO TROCHE

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Doce Ilusão ?

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Tenho sorrido um riso sem gosto
E cantado marchas que eu mesma inventei
Sem querer, sorrindo, coloquei
Máscara melhor em meu rosto
Que aquela que quando sofrí ganhei

Tenho sambado sem par num ensaio teatral
E mirado para penetrantes olhos inexistentes
Que me dizem o quão difícil
É encontrar a paz que só há
No terrível turbilhão de amar

Tenho envolto meus braços em tantos outros
Sentindo escorrer meu suor por corpos mortos
E por minha insistência sinto pulsares absortos
De pierrots ou serão de anjos quase tortos ?

Descanso um descanso injusto
Sozinha, estática em meio à folia
Sem entender tanta serpentina e alegoria
Pulo como que de um susto
E salto, fingindo que o que busco
Se apresenta: Muito prazer, sou a alegria

Caída a máscara se vê minha boca enrugada
E percebo que já não há nada,quando de uma
Única hora distraidamente festejada
Me sobram dias e dias de Cinzas

A boca à mostra decido mantê-la cerrada
Me asegurando de que um grito de
Carnaval para sempre será mantido
Agora se vê pelo meu corpo a carne exposta
Entre olhos e meia máscara a dor está posta

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOMOS OU NÃO SOMOS O SEXO FORTE ?

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Quantas Joanas , Renatas, Aparecidas, Dulces, Marias devem ser humilhadas, ameaçadas, agredidas e mortas para que , nós mulheres, possamos viver com segurança, proteção e dignidade ?
Ontem foi uma Maria, hoje é outra : a Maria da Penha não pode proteger a Maria Islaine.
No ano de 1983, Maria da Penha, biofarmacêutica brasileira, era casada. Seu marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002,hoje está livre.
A história, luta e conquista de Maria da Penha não puderam salvar Maria Islaine.
No ano de 2010, Maria Islaine, 31 anos, foi assassinada pelo ex-marido. O crime aconteceu diante de câmeras instaladas no salão de beleza que Maria Islaine era proprietária e na presença de mais três mulheres.
Maria Islaine havia registrado oito boletins de ocorrência contra o ex-marido, que a ameaçava frequentemente. Também gravou um pedido de socorro à polícia: "Tenho uma intimação que a juíza expediu por causa do meu marido, que me agrediu. Eu o levei na Lei Maria da Penha. Era para ele ser expulso de casa. O oficial veio, tirou de casa, só que ele está aqui e ainda está me ameaçando" . O assassino já havia jogado uma bomba contra o portão do salão de beleza há cerca de quatro meses.
Maria Islaine, recorreu à lei Maria da Penha. Ela tentou se proteger como pode, instalando câmeras no seu local de trabalho, mostrando que realmente estava sofrendo violência, com ameaças e atentados. Mesmo com pedidos de socorro e boletins de ocorrência, a polícia não levou esta mulher a sério, prevalecendo o conceito da "briga doméstica", ou a máxima de que "em briga de marido e mulher não se mete a colher".
Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei Maria da Penha,na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.
Quando eu digo que Maria da Penha não pode impedir a morte de Maria Islaine, não falo da mulher.
Maria da Penha foi longe, lutou , e nos sentimos vitoriosas com a sanção de uma Lei que nos proteja.
Porém , se tratando de Lei , falamos em Justiça, aquela que em nosso país é cega, tardia, falha, fraca.
E falando em força registro aqui uma foto dos últimos minutos de vida de Maria Islaine. Que mesmo abordada brutalmente por um homem ,covarde, com uma arma em punho, aquela mulher era a personificação da Coragem. Essa imagem me emociona e me dá orgulho.


Por isso,tenho certeza de que nossa luta deve continuar e devemos estar sempre conscientes do que nos cerca , mas principalmente , conscientes do que vive dentro de nós.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Todas as Cores da Dor (ao meu pai)

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Infortunadamente a memória alegre me falha.
Da triste infantil lembrança, esmiuçada e rala,
Trago o joguete (da vida?) ganhado sem data especial.
Não mais imprevisto que o abraço resquicioso de um homem mal.

Em minha tenra juventude a alegria de abraços mil
Carregam a verdadeira essência de uma imagem pueril.
Atores, ardores, rancores? Tudo que vil antes não via, agora
Surgira. Partira a mentira, era o medo inóculo da solidão na boa hora.

Sobrara a visão clara de que me restavam migalhas premeditadas,
Restos transformados em ceia para quem as cata embaixo das mesas.
Se me faltaram amores, tinha prestado favores no conto que se ia.
Nova dor infinda quando busco e não vejo fraternos em minha agonia.

Deitada na cama larga, as horas da longa espera na noite fria,
Numa imensa devoção aqueço o leito para onde ninguém viria.
Certo de que se alguém viesse para aumentar o grau de meu coração
Gozaria a tal noite em meu cômodo peito e a paga seria a traição

Vitória esperava, com diferença de placar para o meu altruísmo,
Elogio pelo simples fato de, todavia não ter cedido ao abismo.
Sobre a mais grandiosa de todas as obras, da construção participei
E em troca agressões e abandono recebi de quem edifiquei.

Já em tempo tão distante, conto as chagas que estão incutidas em meu corpo.
Para que eu não as sinta, nem as nomeie com nomes conhecidos muito ou pouco,
Acaricio as feridas num tempo reservado que sei que me é tão escasso,
Observando apenas as cores, o brilho e nuance de um artista relapso.

Aprisionada (por eles ou por mim?) me encontro neste quarto vazio
Espio as paredes manchadas sem bem entender como ainda vivo.
Sem saber exatamente se o Mal ,de tal complicado nome, que trago é letal,
Aguardo duro diagnóstico que descreve uma futura forma fetal.

Não sei ao certo se esta é realmente a história que vivi
Ou apenas personagens de um único livro que lentamente li.
Às vezes, me vem a certeza de que sou eu a estranha autora
Deveras é longe e não me vejo nem leitora, nem a mulher pecadora.

Se, por acaso, eu pudesse escrever ou reescrever, faria breve.
Escuto o incentivo de meu generoso Pai com voz leve.
Ansiosa por uma história de sucesso, começo assim para que se faça jus
E disse Deus Haja luz em tua vida. E houve luz.

Na última página do livro com nova capa, ouve-se a gargalhada de criança
Que abruptamente, de um salto, com um beijo meu sorriso alcança
Aponta o roxo, amarelo, azul e vermelho de meus joelhos de pele carcomida
Cores de legítimas dores destes joelhos gratos e prostrados no jardim de minha refeita vida .