quinta-feira, 25 de novembro de 2010

De Ferreira Gullar para o poeta Oswald de Andrade morto

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Oswald Morto

Enterraram ontem em São Paulo
um anjo antropófago
de asas de folha de bananeira
(mais um nome que se mistura à nossa vegetação tropical)
As escolas e as usinas paulistas
não se detiveram
para olhar o corpo do poeta que anunciara a civilização do ócio
Quanto mais pressa mais vagar

O lenço em que pela última vez
assoou o nariz
era uma bandeira nacional

NOTA:
Fez sol o dia inteiro em Ipanema
Oswald de Andrade ajudou o crepúsculo
hoje domingo 24 de outubro de 1954

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Solitude

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Já na desistência de esfregar
As costas não alcançadas
Num movimento brusco mudo o olhar
De foco e reparo as paredes molhadas

Pela janela invade o som das brincadeiras
Das crianças que vem da rua
Alegres canções que não me remetem à nada
Não me levam a lugar algum e não me dizem
Coisa alguma
Então, permaneço fria, crua

Revolvo às amigas paredes que abrigam
O vazio da casa
E percebo que há mais solidão ali
Dentro, além daquela que me arrasa

Escalando com esforço o azulejo
Escorregadio
Um inseto parece também sentir frio

Tem as patas brancas, de um
Branco quase transparente
Parecem frouxas, bambas
Como as minhas tem estado ultimamente

E se o poeta diz que a aranha
Vive do que tece, vivo por um triz
Sempre prostrada, vivo de prece

Depressa aquele ser tão pequenino
Me faz acreditar em destino
Seria destino eu me sentir felizarda
Com o que ele me barganha ?
Me sentir plena e satisfeita em
Companhia de uma aranha ?

Havia formosura no encontro
Eu acompanhava seu trajeto
Como um dedicado arquiteto
Estuda minuciosamente seu projeto

Sob minha vigília quase alcançava sua meta
Eu apertando os olhos, vi algo em sua reta
Seria uma presa ? Não! Se movia
Era uma outra aranha suspensa de forma tesa
Se aproximaram e pareciam conversar
Para minha surpresa

A outra era maior que a minha
E parecia que lhe esperava
Eu, sem mais delongas
Saí do banho que me enrugava

Em meu quarto, ninguém à minha espera
Aberta estava a janela
E pude ver astro que a noite trouxera

Piscando me disse tal brilhante estrela:
- Segue, toma tua engenhosa teia
Mesmo sozinha deves tecê-la

domingo, 21 de novembro de 2010

Sandrine Estrade Boulet

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É o nome de uma artista francesa, e por felicidade nossa, uma artista contemporânea.
Sandrine fotografa e faz intervenções digitais artísticas nas fotos.
O resultado é maravilhoso.
Eu fico feliz e entusiasmada com as obras de mulheres artistas.
É uma das maneiras mais eficazes de manifesto.
E precisamos que sempre nós mulheres estejamos juntas em manifesto.
A manifestação de Sandrine é leve, criativa e linda.
Eu que gosto muito de títulos de obras de arte, amei também os nomes de suas criações.
As que estão neste post chamam-se Coup de Vent ( Golpe de Vento) e Lunette man ( Homem Luneta), mas tem muito mais aí no link que segue:



US$ 722,5 mil

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Foi o preço pago em Nova Yorque por Machina de Beatriz Milhazes, nesta semana.
A artista brasileira, uma das minhas preferidas, é a mais bem paga e o melhor de tudo é que pôde colher os frutos ainda em vida. O que não aconteceu com minha amada Tarsila.
Mas, temos que comemorar que nossa arte seja tão valorizada. Porque ela é realmente e incrivelmente bela.

                                         Machina (1993-94)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ama Dor

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Não quero mais te encontrar
Luzindo como estrela pela noite
Pra sentir o peso do sol na aurora

Não quero mais te ver cantar
As canções que o amor trouxe
Deixaram os versos doídos de agora

Não quero mais falar-te
Sobre o corpo torturado pela paixão
Marcas profundas da pequena hora

Não quero mais você
Migalhas distraídas pelo chão
Não alimentam meu coração que chora

sábado, 13 de novembro de 2010

O CARINHO QUE MAMÃE ME FEZ

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SOU UM SER TOTALMENTE REPREENSÍVEL
DEPOIS DE TRINTA ANOS CONTINUO IGUAL
TESTOSTERONA PRA MIM É DESPREZÍVEL
HÁ TANTO DELA EM MIM QUE NÃO É NORMAL

PORVENTURA NASCI DE FAMÍLIA INIGUALÁVEL
TÃO AMOROSOS QUE ME DEIXAM NESTE ASTRAL
MEUS PAIS ME AMARAM DE MANEIRA INCONTROLÁVEL
E SÓ POR ISSO SOU UM SER HUMANO ESPECIAL

PORÉM, CONTUDO , TODAVIA, CONHEÇO
AS MÃOS, E CADA CARINHO QUE ME AFAGA
E SEI QUE SOU UM SER ESTRANHO QUE PAREÇO
ALGUÉM ARMADO SEMPRE COM UMA ADAGA.

MAS, NADA ME ENGANARÁ NESTA VIDA
QUE O QUE VEJO REALMENTE NÃO EXISTE
AS LINHAS EM SUA MÃO TÃO BEM-VINDA
ME FIZERAM TAL PRESENTE EM RISTE

MAMÃE, MINHA VIDA SEM TI É TRISTE
E NUNCA DEIXÁRÁ DE SER MINHA AMADA
MINHA ATUAL ALEGRIA CONSISTE
EM DEITAR NESTA COLORIDA ALMOFADA

Susurro

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Solo quiero que me quieras
Suya seré sin miedo
Viviendo entre sofocantes miradas
Y sabrosos besos
Sin súplicas o suplicios
Sin soledad
Sin sufrimiento
Conociendo la deliciosa sinceridad
Siendo siempre nosotros mismos

Sembrando y cediendo
Sublimes sentimientos
Sueño contigo en mi vida
Y sé que cien sonetos
Serían pocos
Entonces serenamente espero
Siendo así, tendré el cielo al oír
Soy suyo

(para Otávio Ripas)